sábado, 20 de julho de 2013

O que você faria? - post polêmico


Hoje vou te convidar a dar a sua opinião sobre um tema polêmico. Fique à vontade para responder como anônimo, se for o caso. Eu não vou te julgar pela sua opinião, até porque, este é um daqueles casos onde não existe a fórmula perfeita. Todo mundo está certo, todo mundo está errado.
Bom, vamos lá.
Quem é leitor antigo, lembra que minha avó faleceu em 2010. Foi tudo muito rápido, entre o diagnóstico e a morte dela. Até hoje eu não acredito como isso pode ter acontecido com ela, mas a questão não é essa.
O caso é o seguinte. Quando finalmente foi feito o diagnóstico, a sentença era de morte, e morte rápida. Coisa de três meses, se tivesse muita, mas muita "sorte".
Daí o dilema: "contar ou não contar para ela, eis a questão".

Se pensarmos em termos éticos, no direito do paciente, essa questão nem existiria. Afinal, toda pessoa tem a obrigação de saber a verdade sobre sua condição física. Até pra poder preparar um testamento, resolver pendências afetivas, realizar um último desejo, se despedir das pessoas que ama...

De posse desse pensamento, eu fui super a favor de contar a real situação para a minha avó. Estava totalmente contra meus pais e meu avô, que insistiam em mantê-la na ignorância sobre esse assunto. Como ela teve alguns episódios de AVC durante as inúmeras internações, pode-se dizer que o nível de consciência dela também não estava nenhuma Brastemp, de maneira que ela também não estava em condições de fazer muitas perguntas. Mas eventualmente ela melhorava um pouquinho e dava para se ter breves conversas.

Eu quase briguei com minha mãe por conta disso. Eu dizia:
" Ela tem o direito de saber"
" E se ela quiser nos revelar algum segredo?"
" E se ela quiser pedir alguma coisa?"
" Como vou poder me despedir dela, dizer que foi a melhor avó do mundo?"
" E a ética médica?"
Etc. Etc. Etc.

A irmã da minha avó, que por acaso era a minha tia preferida, também faleceu de câncer (preciso me cuidar, minha genética é péssima). Mas no caso dela, foi câncer de mama, e ela levou quase seis anos para falecer. E nós conversávamos sobre isso. Sobre os medos dela. Sobre como eu sentiria a falta dela. Sobre como eu não gostaria que ela me fizesse nenhuma aparição espiritual, caso esse negócio de espírito realmente exista (nós combinamos de conversar através de sonhos, juro!). Eu colava meus retratos no soro dela (imaginem a cena). Enfim, nós duas nos preparamos para o momento final, e nós duas estávamos em paz.

Contei isso tudo para os meus pais e meu avô, mas não teve jeito. Eles não queriam contar e me proibiram de contar também.

Um dia, eu fui conversar sozinha com o meu pai, o sábio. E o que ele me falou, varreu por terra tudo o que eu pensava, e por isso eu escrevi esse post hoje e quero te perguntar o que você faria. Te pergunto isso como médica e como amiga.

Meu pai me disse:
" Lu, digamos que você conte. O que você acha que isso faria de bom por ela? Isso iria acrescentar alguma coisa boa na vida dela? Ou você não acha que ela poderia se sentir no corredor da morte, presa na situação, com a morte se aproximando sem que possa fazer nada a respeito?"

Juro que parei pra pensar. Uma situação era a da minha tia, que teve um câncer de mama, foi operada, tinha esperanças reais de cura. Outra situação foi a da minha avó, que ao ser diagnosticada, já não estava assim tão lúcida, com um câncer de fígado inoperável, já metastizado para o corpo todo.

E daí comecei a pensar em outra questão crucial. E se fosse comigo? Eu ia querer saber? 
E você? Gostaria de saber? O que você faria se fosse seu parente?

56 comentários:

Anônimo disse...

passei situacao semelhante com a minha mae, que teve um cancer no cerebro, prognostico de um
ano de vida... enfim, na vespera da cirurgia decidimos contar-lhe a situacao, e apoiariamos qualquer que fosse a sua decisao, entre cirurgia, radio e quimioterapia. Ela nos disse que, para viver, toparia fazer qualquer coisa. Bom, lutou por tres anos e meio, e se foi. E estivmos sempre a seu lado,

Débora disse...

Luciana, independente de qual fosse minha situação eu iria querer a verdade sempre. Poderia até me fazer mais mal do que bem, mas pelo menos eu poderia escolher o que fazer, o que falar e com quem falar nos meus últimos dias. Geralmente, família quer tentar proteger e acha que evitar sofrimento é o melhor caminho, mas nem sempre é. Isso que seu pai falou de "o que traria de bom" só sua vó poderia realmente responder. Ela era uma pessoa que preferia saber das coisas ou normalmente se omitia, fechava os olhos pras situações difíceis? Tem pessoas que preferem não saber...Mesmo pensando desta forma, se eu fosse vc tb não iria contra o desejo da minha família, pois poderia causar um mal estar eterno com eles, pois eles não tem a consciência de como, algumas vezes, é importante ter um momento pra se despedir. Acho q vc deve ficar tranquila com sua escolha, pois vc respeitou a vontade da sua família, essa escolha não era só sua, vc era mais neta do que medica dela. Por isso, se um dia eu adoecer, um dos meus pedidos será de nunca me esconderem nada sobre meu estado, mas cada caso é um caso (clichezão!) Bjs

Débora disse...

Luciana, independente de qual fosse minha situação eu iria querer a verdade sempre. Poderia até me fazer mais mal do que bem, mas pelo menos eu poderia escolher o que fazer, o que falar e com quem falar nos meus últimos dias. Geralmente, família quer tentar proteger e acha que evitar sofrimento é o melhor caminho, mas nem sempre é. Isso que seu pai falou de "o que traria de bom" só sua vó poderia realmente responder. Ela era uma pessoa que preferia saber das coisas ou normalmente se omitia, fechava os olhos pras situações difíceis? Tem pessoas que preferem não saber...Mesmo pensando desta forma, se eu fosse vc tb não iria contra o desejo da minha família, pois poderia causar um mal estar eterno com eles, pois eles não tem a consciência de como, algumas vezes, é importante ter um momento pra se despedir. Acho q vc deve ficar tranquila com sua escolha, pois vc respeitou a vontade da sua família, essa escolha não era só sua, vc era mais neta do que medica dela. Por isso, se um dia eu adoecer, um dos meus pedidos será de nunca me esconderem nada sobre meu estado, mas cada caso é um caso (clichezão!) Bjs

Débora disse...

Luciana, independente de qual fosse minha situação eu iria querer a verdade sempre. Poderia até me fazer mais mal do que bem, mas pelo menos eu poderia escolher o que fazer, o que falar e com quem falar nos meus últimos dias. Geralmente, família quer tentar proteger e acha que evitar sofrimento é o melhor caminho, mas nem sempre é. Isso que seu pai falou de "o que traria de bom" só sua vó poderia realmente responder. Ela era uma pessoa que preferia saber das coisas ou normalmente se omitia, fechava os olhos pras situações difíceis? Tem pessoas que preferem não saber...Mesmo pensando desta forma, se eu fosse vc tb não iria contra o desejo da minha família, pois poderia causar um mal estar eterno com eles, pois eles não tem a consciência de como, algumas vezes, é importante ter um momento pra se despedir. Acho q vc deve ficar tranquila com sua escolha, pois vc respeitou a vontade da sua família, essa escolha não era só sua, vc era mais neta do que medica dela. Por isso, se um dia eu adoecer, um dos meus pedidos será de nunca me esconderem nada sobre meu estado, mas cada caso é um caso (clichezão!) Bjs

Marcia disse...

Hum... é muito difícil, não? Mas eu contaria. A verdade pode ser assustadora e terrível, mas quando se trata da sua vida, só você pode decidir. Para mim seria opressor imaginar que meus parentes decidiriam sem mim, como vou morrer.

Quem bem faria não contar? O sofrimento físico, certamente estará presente. E tão angustiante quando saber que se vai morrer e não ter ideia do que vai lhe acontecer, mas no fundo, tenho para mim que os idosos que adoecem sabem que correm o risco de partir.

Não posso falar por sua avó, só sei que eu gostaria de saber.
Acho que a possibilidade de não me despedir daqueles que eu amo terrível. Meu avô paterno morreu com quase 90 anos e quando recebeu o diagnóstico de morte, nos pediu que o levássemos para casa, para que ele morresse na sua cama, rodeado dos filhos que tanto amava. Não consigo me imaginar não tendo a mesma escolha e acho que contaria para qualquer outro parente. Meus avós paternos morrem de problemas cardíacos, ambos sabiam que a condição era mortal.

Aliás, acho que é parte importante da velhice, por mais mórbido que possa parecer, conversar com seus parentes e explicar como você quer partir. Por que o medo da morte é natural para todos nós e sempre penso que evitá-lo não traz nada de bom.

Mas a minha filosofia de vida, não sei se serve para todo mundo.

Anônimo disse...

Realmente polêmico, rs... Assim, numa situação hipotética eu ia querer contar e ia querer saber, mas não sei se estivesse vivendo realmente a situação se eu manteria essa opinião.
Bjs
Lara*

Carolina disse...

A minha avó teve e tem câncer, operou sem saber que tinha câncer. Dissemos a ela que era outra coisa porque? Porque acreditamos que a pessoa quando sabe que tem câncer perde esperanças por saber quantas e quantas pessoas já morreram por causa dessa doença e que essa doença é para muitos o fim. Ela já tem mais de 80 anos, o médicos operaram sem nenhuma esperança, porque? acreditaram que pela idade ela não resistiria! OK! ela muito católica e mulher de muita fé e principalmente sem saber que ela foi escolhida e estava no corredor da morte entrou e saiu firme e forte, achando ser uma pequena bobagem. Claro que ela tem consciência que a idade pesa e que um ela não viverá enternamente mas, acreditamos que uma pessoa depois que descobre estar com doença tão destruidora perde forças, pode simplesmente se largar e daí se ela soubesse será que ela teria se recuperado da maneira que se recuperou?
A cabeça do ser humano é uma bomba relógio que nunca saberemos como e quando ela vai explodir. Temos outra cirurgia para enfrentar, claro ela sabe que vai operar mas, não sabe e nem quer como da outra vez mas, é preciso fazer ela e Deus é que vão resolver o resultado.
Nós do lado de fora sentimos a dor de vê la doente e sofrendo, claro que é uma situação diferente, ela graças a Deus não tem dores nenhuma, uma benção.
Eu me despedi dela há um ano, pois estava mega fraca antes da cirurgia e depois nos reencontramos novamente (moramos muito longe uma da outra) se recuperando e dando um lição em nós de sua força e fé.
Por isso eu acho que cada caso é um caso mas, eu prefiro não contar e não saber.
Peço a Deus que descubram a cura e que tantas famílias devastadas por essa doença tenham conforto em seus corações.
Bjo Lu

fatinha disse...

Lu, gostei deste post e acho que como somos seus amigos virtuais e seguidores deste maravilhoso blog, nada melhor do que vc querer nossa opinião, até para poder avaliar a porcentagem de pessoas que são contra ou a favor dessa polêmica de contar ou não sobre se ter os dias de vida contados.
Minha opinião é que não devemos contar a elas. Eu não gostaria de saber, por um simples motivo: enquanto houver fé dentro de nós sempre há esperança. Mesmo estando com os dias contados, a fé, cria uma aura positiva ao redor de nosso espítito, facilitando talvez, até que morramos com menos sofrimento e se pegando menos com a vida. A minha avó moorreu com câncer no cérebro e sabia, mas sofreu muito antes de morrer, pois se apegou demais à vida e à matéria. Não aceitava a morte, mesmo estando com 92 anos.
Amo seu blog e amo você, como médica( um dia ainda vou lhe conhecer no seu consultório)e como amiga blogueira.
Saúde e Paz!!!!

Fátima Bastos

Katia disse...

Oi Luciana, esse seu post é de grande relevância, pois se trata de nos "intrometermos" na vida de uma outra pessoa. Sou psicóloga e não comungo daquilo que pregam os meus pares, que é o mesmo que vocês, médicos, pregam. Tenho o mesmo pensamento do seu pai: em que isso irá ajudar alguém numa situação dessas?
Tive um avô que faleceu em função de um câncer no fígado e morreu sereno, calmo, sem medo (como relata uma prima médica que estava com ele neste momento da transição, "ele foi indo, indo, como um passarinho".).Ele se foi achando que era uma hepatite...
Eu quero o mesmo para mim, caso venha a me encontrar numa situação parecida. Não quero saber. Quero viver meus últimos dias como todos os outros. Tudo o que tenho a dizer, a fazer, vou falando e fazendo enquanto gozo de boa saúde.
Já, minha filha, quintanista de Medicina, diz que quer saber. Como minha intuição (que por sinal é muito desenvolvida) diz que eu irei antes, não me depararei com esse problema. Talvez ela ainda pense assim porque tudo que está na cabecinha dela agora é o que prega a Medicina. A sabedoria que vem com a idade (e não duvide, ela vem!) muda muito os preceitos que tínhamos como jovens e saídos há pouco de uma faculdade.
Resumindo: não quero saber e sou contra contar. A tomada de consciência de que nos resta 2, 3 meses de vida, não nos dá mais vida, tira-nos a vida! O medo paraliza. Você já viu alguém saber que lhe restam dois meses e curtir esse tempo freneticamente? Dizer que ama? Já deve ter dito isso a vida toda. Então penso mais na serenidade, na calma, no destemor diante de um momento muito importante: a transição ou a "Grande Iniciação", como gosto de chamar.
Obrigada pela oportunidade de discorrer sobre um tema que já fez parte da minha vida e de expor a minha filosofia de vida.
Digo sempre pra minha filhota que antes de sermos profissionais, somos seres humanos.
Um grande beijo pra você e um beijinho fofo no Gabriel. Ele é lindo!
Katia

Katia disse...

Oi Luciana, esse seu post é de grande relevância, pois se trata de nos "intrometermos" na vida de uma outra pessoa. Sou psicóloga e não comungo daquilo que pregam os meus pares, que é o mesmo que vocês, médicos, pregam. Tenho o mesmo pensamento do seu pai: em que isso irá ajudar alguém numa situação dessas?
Tive um avô que faleceu em função de um câncer no fígado e morreu sereno, calmo, sem medo (como relata uma prima médica que estava com ele neste momento da transição, "ele foi indo, indo, como um passarinho".).Ele se foi achando que era uma hepatite...
Eu quero o mesmo para mim, caso venha a me encontrar numa situação parecida. Não quero saber. Quero viver meus últimos dias como todos os outros. Tudo o que tenho a dizer, a fazer, vou falando e fazendo enquanto gozo de boa saúde.
Já, minha filha, quintanista de Medicina, diz que quer saber. Como minha intuição (que por sinal é muito desenvolvida) diz que eu irei antes, não me depararei com esse problema. Talvez ela ainda pense assim porque tudo que está na cabecinha dela agora é o que prega a Medicina. A sabedoria que vem com a idade (e não duvide, ela vem!) muda muito os preceitos que tínhamos como jovens e saídos há pouco de uma faculdade.
Resumindo: não quero saber e sou contra contar. A tomada de consciência de que nos resta 2, 3 meses de vida, não nos dá mais vida, tira-nos a vida! O medo paraliza. Você já viu alguém saber que lhe restam dois meses e curtir esse tempo freneticamente? Dizer que ama? Já deve ter dito isso a vida toda. Então penso mais na serenidade, na calma, no destemor diante de um momento muito importante: a transição ou a "Grande Iniciação", como gosto de chamar.
Obrigada pela oportunidade de discorrer sobre um tema que já fez parte da minha vida e de expor a minha filosofia de vida.
Digo sempre pra minha filhota que antes de sermos profissionais, somos seres humanos.
Um grande beijo pra você e um beijinho fofo no Gabriel. Ele é lindo!
Katia

Anônimo disse...

Oi Lu,

Eu jamais contaria, bem como, não gostaria de saber que estou perto do fim! Saber que tenho x dias de vida, me mataria!

Beijos

Fátima disse...

Não, não gostaria de saber que meus dias estão contados e não faria nenhum ente querido sofrer mais ainda por antecipação! beijos Lu!

Solange disse...

Talvez seja a pergunta mais difícil de responder. Quando estamos assim, de longe,olhando a situação de fora, pensamos de maneira racional, ponderamos e achamos fácil decidir. Mas quando estamos no centro, a emoção fala alto e só na hora, com as pessoas e a situação real, os afetos envolvidos é podemos encontrar o caminho. Talvez não seja o melhor. Nunca saberemos.

Priscila disse...

Lu, acho que as pessoas não precisam saber..a ignorância muitas vezes preserva a esperança, a alegria e naturalidade da vida. A morte também deveria ser vista com naturalidade, já que é apenas uma passagem..ainda iremos nos encontrar com nossos entes amados.
Tratar um câncer já é tão doloroso para que deixar quem está doente com a expectativa do dia D da morte?
Beijos,
Priscila

Adri disse...

Oi Luciana, que post interessante. Raramente comento mas resolvi opinar hoje. Perdoe a falta d acentoos, por favor, eles estao desconfigurados. Tambem sou medica, cirurgia geral que desistiu de operar ehehhehe. SOu a favor de contar e imploro aos meus que me contem, independente da idade que eu tiver. Sim, me de tempo de ir aos templos no Camboja, de voltar `a Russia para as noites brancas, de acarinhar leoes (filhotinhos eheheh) na Africa. Deixe me pedir desculpas a quem elas sao devidas, abracar forte a familia, fazer montinho nos amigos ( pois eh, sou uma ogra ). QUero me despedir dessa pessoa que sou hoje e acordar " do outro lado" eu mesma, mas mais leve e com a consciencia tranquila.

Tâmara Assis disse...

Lu, boa noite

Discuti com a minha mãe sobre isso, depois que li seu post.
Acho o caso muito delicado, e sinceramente, confio muito em Deus.
Ninguém sabe o dia de amanhã.
Caso aconteça essa sentença de morte, de, exemplificando 2 meses, e, no dia seguinte a pessoa se vai? Ou simplesmente esses 2 meses viram 2 anos? Ou se, com essa 'sentença de morte' a pessoa se entrega de uma tal maneira que nem essa expectativa de vida ela terá?
É realmente muito polêmico e minha mãe diz que gostaria de saber. Eu não contaria. E o que fazer? respeitar a decisão dela, ou querer que nesse momento tão delicado ela tenha qualidade de vida e positivismo?
A cada comentário que leio, minha opinião muda.
Sinceramente não tenho a minha opinião 100% formada, mas enfim...
Beijos e o Gabriel tá uma fofura!!

Marília disse...

Dra. Luciana, muito importante pensar a respeito disso, tanto para nos preparar quanto para poder ajudar pessoas queridas.
Eu gostaria de saber o meu diagnóstico, mas isso depende de como cada pessoa encara a "morte". Nossa ideia ocidental sobre a mesma é muito triste e terrível, por isso é tão difícil lidar com essas situações. Mas e eu? Como eu encaro a morte? Não sei! E é exatamente por isso que eu gostaria de saber a minha situação, para poder saber, a cada momento e na hora, o que é a morte. Meio assustador isso, mas o que é a vida se não aprender, conhecer, sentir?
Falaria para meus parentes: encham a sala de lindas flores, coloquem "only time" da enya e segurem minha mãe... ishi, to chorando... acho que é melhor parar por aqui.

Daniela disse...

Oi, Lu!
Essa situação é mesmo uma polemica: como advogada diria que a pessoa tem o direito de saber da sua situação física, mas vou falar com você como amiga: cada caso deve ser analisado de modo especial, pois é muito fácil, aos 20 ou 40 anos ter uma convicção e mudar ao longo da vida... é muito difícil, se não impossível 'imaginar' ser idoso. Minha avó, por ex. tirou uma mama pelo cancer, mas tinha expectativas reais de cura e fez o tratamento sem problemas; agora o cancer voltou, generalizado, e pelo perfil psicologico dela foi unanimidade na família que ela não pode saber. Voltamos ao que eu disse no começo: no caso especifico da minha avó é impossível lhe contar, pois ela passou uma vida sendo medrosa e preocupada, está mais manhosa do que nunca, chora por tudo, não tem estrutura emocional para uma notícia de que agora não há expectativas. Passei a acreditar, há um tempo, que cada ser humano é um universo em si mesmo e que sofre mutações ao longo da vida, com base nas experiencias por que passa e é nessa hora que o valor da família vem à tona. Sossegue seu coração: com certeza seu pai, o sabio, lhe deu essa explicação com base em motivos reais, confie nele.
Um beijo,
Dan

Carolina Rodrigues disse...

Eu contaria de qualquer jeito, pois gostaria de saber se fosse o meu caso. Enfim, é como escreveu se a pessoa quer pedir alguma coisa especial, dar um recado será a única chance. Mesmo assim é bastante complicado, procuraria uma pessoa ou mesmo uma profissional para dar a notícia de forma verdadeira, mas sem assustar.

Luciana Leal & Luiz Felipe disse...

Caaramba, lendo os comentários de vocês, percebi como o negócio é muito mais complexo do que eu imaginava.
Vocês falaram coisas muito ricas, muito certas, verdadeiras.

Anônimo disse...

Oi Lu,
É minha primeira vez em seu blog, e me deparo com um tema pelo qual tive uma experiência nada agradável. Em 2009, tivemos o diagnostico parecido com o da sua avo em meu sogro- 56anos- (so que retiraram a vesícula e parte do fígado), o medico deu pra ele um prazo de 4 meses de vida, e que nao haveria tratamento que revertesse o quadro. Então meu namorado (na época ainda namorávamos) não quis de jeito algum que seu pai soubesse o diagnostico, disse somente que estava com um problema no fígado e que teria que usar bolsa coletora externa (meu sogro era uma pessoa muito ativa e não aguentaria se tornar prisioneiro de um hospital, sem contar a debilitação que a quimio provoca nos pacientes). Assim foi, no mesmo mês ficamos noivos (desculpa para reunir a família e nos despedirmos dele). Depois de 6 meses e três cirurgias de remoção parcial do fígado (a cada 2 mese o fígado crescia e pressionava o tubo coletor impedindo a drenagem da secreção) uma prima contou que ele estava com câncer. A primeira reação dele foi procurar tratamento (como existem profissionais oportunista em todas as áreas) encontrou um oncologista que deu-lhe esperança de cura. E após 3 sessões de quimioterapia, muita dor e estadia quase constante em hospitais, o medico acabou com suas esperanças. E em julho de 2010, exatamente 9 meses após a primeira cirurgia e o diagnostico, meu sogro faleceu em casa, com muito sofrimento pra ele (estava a base de morfina no ultimo mês) e para a família. Foi muito triste. Eu concordo com o que seu pai disse, se o meu sogro não soubesse da doença, talvez tivesse tido mais qualidade de vida em seus últimos momentos. Não gostaria de saber se eu tiver uma doença como essa, e acredito que nosso pensamento tem uma força muito grande, tanto positiva quanto negativamente, do mesmo jeito que cura destrói. Se nao há nada a ser feito então aproveite(com qualidade) da vida os minutos que restam!
Tenha um bom domingo!
Bjs.

Anônimo disse...

Acho que seu pai tem razão. Falar que a pessoa está com dias contados só iria piorar o estado dela, principalmente se for uma enfermidade que não permita aproveitar este restinho de vida. É capaz da pessoa se sentir mais triste por não conseguir "curtir" já que pode passar maior parte do tempo na cama ou num hospital. Agora tem uma novela que a menina tem câncer e tem poucos meses de vida. Vai casar, o cabelão vai continuar blablabla. Isso é ilusão! Perdi uma avó com câncer e durante os últimos meses ela foi muito sofrimento com dores e remédios.
Fico pensando agora se fosse comigo. Eu preferia não saber que tenho apenas alguns meses de vida pq sofreria muito por saber que não passarei o outono em Londres e não poderei estudar nos EUA, planos que tenho a médio e curto prazo. Cada caso é único. Difícil saber o que é melhor para o outro neste caso.
Bjo!

Ana Paula disse...

Eu acho que isso depente muito de cada pessoa, tem gente que encara com tranquilidade outras entram em panico, o meu pai tambem teve cancer e faleceu tem apenas 6 meses,quando descobrir ja estava muito avancado, ninguem quis contar pra ele, uma medica que atendeu ele quando ele passou mal que contou a verdade, eu preferia que ele nao soubesse, nao is adiantar nada mesmo, sofri mais ainda vendo o sofrimento dele, porque antes de saber ele tava esperancoso, achando que ia ficar bom, ele conversava, ria, depois que soube ficou muito mal.

Ms.Nick Nameny disse...

Quando eu era mais nova, sim eu bateria o pé e iria querer saber.
Agora que já entrei nos "enta", não penso mais assim. Não acho que devam dizer a sua avozinha.
Não gostaria de saber, sobretudo porque não há perspectiva de cura!

Alegrem-lhe os poucos momentos que resta, vivam felizes os últimos dias com ela. Alguma coisa me diz que ela saberá que está sendo uma despedida e acho que gostaria que essa despedida fosse muito feliz, pacífica e alegre.
Sou odontóloga e atualmente estou dando uma "guinada" (rs..rs) e cursando direito.
Seu pai é muito sábio!

amanditas.com disse...

Olá,

Na posição de filha, acolheria a opinião do seu pai... Tem certos assuntos q são "de adulto" - mesmo q já sejamos crescidinhas - rs.

Minha mãe teve câncer de mama, operou e após dois anos a doença foi p/o cérebro (foi uma cirurgia de altíssimo risco porém necessária pq ela perdeu a memória numa consulta de rotina e apesar de ter voltado a consciência, poderia ter outra crise e não voltar mais).

Ela teve acompanhamento psicológico e por mais q eu mostrasse os "nós" q ela precisava desatar p/descansar em paz, repassar a sua estória a limpo, ela criou um personagem e preferiu esconder os seus medos e angústias de todos nós.

A minha primeira reação foi deixar de trabalhar p/cuidar dela mas mesmo doente, era ela quem dava as ordens em casa, como tudo deveria funcionar, etc.e tal.

O câncer já tinha atingido outros órgãos e assim q o tratamento mudou (quimioterapia diária, em casa - além da morfina p/aliviar a dor), ela se fechou no seu mundo.

O desgaste no final da doença foi enorme, a esperança e a fé foi diluindo e eu não sabia o q pedir a Deus, pois sabia o q estava por acontecer - achei q seria egoísta.

Sempre vi q minha mãe era uma pessoa forte - ou pelo menos representava... Num momento de desespero - e descuido nosso - ela deu fim a própria vida.

Céus! Ficou a dúvida do q poderíamos ter feito por ela e a certeza de q o ser humano é muito complexo, por mais q conheçamos alguém, nunca saberemos exatamente da sua reação, o q pensa, etc.

Por causa desta genética (meu avó e tio paternos tb tiveram esta doença medonha), eu surto ao menor sinal de desconfiança (nódulo de tireóide, mama, ovário, etc.).

Meu consolo é comer desesperadamente, me isolar, dormir p/esquecer, etc. - entre o resultado do exame e a consulta. Por enquanto foram somente alarmes falsos - graças a Deus mas confesso q não teria condições psicológicas de enfrentar um desafio destes.

A conclusão q eu chego é q nesta vida, não temos controle de nada - nem mesmo das nossas emoções...

Bjos,

Amanda

amanditas.com disse...

Olá,
Será q o meu comentário sumiu? Nem sei por onde começar - rs
Bjos,
Amanda

Anônimo disse...

Lu, minha vó teve câncer também e não contamos nada! Porque era em estagio terminal. O que fizemos foi rechear os últimos meses da vida dela com muitas visitas, muito amor dos filhos, netos... Antes ela dizia que tudo fazia mal ao estomago dela, nós começamos a falar que era para ela experimentar e ver se fazia mesmo. Ela passou a comer de tudo e nada fazia mal. Passou os últimos meses mais feliz do que nunca... E temos certeza que foi a melhor decisão a ser tomada! Ninguém nunca se arrependeu. Eu tb gostaria que tivessem feito o mesmo comigo se eu estivesse na situação da minha vo! Bjos Carinhosos!

Pedro disse...

Caso a pessoa perguntasse, eu contaria. Se ela não perguntar, já é um sinal de que ela não gostaria de saber.

Se a pessoa sabe que está para morrer, talvez ela queira administrar a vida dela de um modo diferente, resolver alguma "pendência", dizer alguma coisa que queria dizer mas ainda não teve coragem etc. É direito de cada um poder administrar a própria vida...

É importante que ela saiba disto porque aí entram várias outras questão: e se ela quiser doar os orgãos? E se pessoa quiser, caso entre em estado vegetativo, que a vida dela não seja prolongada por métodos artificiais? Talvez ela (a pessoa) queira decidir tudo isto em vida...

Conclusão: perguntou? Respnde. Não perguntou a real situação? Para que responder o que não foi perguntando?

A título de curiosidade, sei que o modo de lidar com isto varia muito de país para país. Nos Estados Unidos, em praticamente 100% dos casos, se não em 100% dos casos, é dada a situação real para o doente.

Anônimo disse...

todos sabemos q a única certeza da vida é a morte, e ninguem tem a garantia q estara vivo daqui 6 meses, mas alguém se prepara para a morte?
meu avô teve câncer no cerebro e a família estava acabada e sem forças para lidar com a situação, muita gente falando se deveria contar ou não, e com medo de como dar a noticia que ele viveria 5 meses mais ou menos. Decidimos não contar...mas ele perguntou ao médico como seria o tratamento, e esse infeliz falou a verdade(ele estava sozinho nessa hora). Meu avô, parou de falar, de comer, não queria tomar banho nem vestir roupa, foi assim até o final dos seus dias(morreu depois de 20 dias)!!!! Perguntei ao FDP (o médico) porque ele tinha feito isso, ele respondeu q todos devem saber a verdade, uma prepotência, que era o dono da verdade, eu pergunto a todos q VERDADE... a de acabar com a esperança, sonhos, quem somos para fazer isso? cada um reage de um maneira com a noticia, seja qual for a sua decisão, tenha compaixão e se coloque no lugar do próximo.

Marcia Cunha disse...

oi lu,meu nome é marcia e te acompanho a bastante tempo...passei por uma situação semelhante com minha mãe,entre o diagnóstico e sua perda foram só 40 dias, ela passou mal e na primeira consulta ela pediu ao médico se fosse algo maligno ela preferia não saber,ele disse que era um tumor mas era operável...realmente foi o que aconteceu, mas como era maligno ele deixou por conta da familia decidir contar ou não,achei extremamente humano e ética a posição dele, não contei e percebi que isso foi melhor para ela, ela se despediu de todos e não sofreu de ansiedade pela doença.....teve esperança até o fim...e afinal essa á a verdade sobre as doenças, quando a ciencia nada pode fazer,o medico dos medicos ,que é Deus decide,ninguem vai embora antes da hora,nada acontece sem sua permissão....acho que sua familia tomou a decisão certa.

Luciana Leal & Luiz Felipe disse...

|Amanda, eu também como descontroladamente, e durmo bastante quando estou numa situação de extrema ansiedade.

Anônimo disse...

Lu,
Em primeiro lugar, meus pêsames pela sua vó. Mortes repentinas são sempre as mais dolorosas. Não acho que exista uma coisa certa para se fazer para qualquer caso. mas acho que existe a coisa mais certa a se fazer em cada caso. Minha vó paterna morreu com idade muito avançada e ficou muito debilitada, tudo aconteceu muito rápido mas acho que ela tinha consciência que o fim estava próximo independente de falarmos ou não para ela. Sabíamos que ela morreria e isso foi omitido, mas não omitimos que a situação era grave. Ela também não queria saber muito, não perguntava para os médicos. A maneira dela enfrentar a situação foi fugindo da verdade, então ninguém quis 'esfregar' a verdade na cara dela. Acho que foi a decisão certa.

Por outro lado, minha mãe morreu de câncer no pâncreas com 32 anos quando eu tinha apenas 7 meses. Do dia da internação até o dia do óbito se passaram apenas 10 dias. Todo mundo na família sabia que estava piorando e a morte estava quase certa, mas nesse caso foi a família que se negou a acreditar e infelizmente encheram a cabeça dela com baboseiras do tipo "tenha fé" e "você vai ficar boa". Na minha opinião foi uma reação covarde de pessoas que queriam proteger a si mesmas. Se tivessem aceitado melhor e compartilhado a real situação com ela, talvez hoje eu pudesse ter em minhas mãos alguma "carta de despedida", alguma coisa que ela tivesse preparado para mim quando eu fosse adulta, coisas que ela esperava me dizer um dia. Até hoje sinto um pouco de raiva da minha família por terem tirado de mim e dela essa oportunidade. Meu pai se defendeu dizendo que achava que ela não morreria e por isso proibiu que outras pessoas falassem com ela sobre o seu estado de saúde pois pensava que isso não iria ajudar na recuperação. Mas acho que ele errou ao fazer isso. E acho que mentir é quase sempre errado, portanto penso que se a pessoa quiser saber, temos que contar. Se o doente perguntar sobre suas possibilidades de melhora, temos que dar a ele a verdade. Aliás, acho que os médicos deveriam sempre falar tudo na frente do paciente e da família. Cresci tão neurótica com isso, que ninguém nunca vai conseguir me impedir de falar a verdade. É claro que vou escolher a maneira menos dolorosa de falar, mas sempre vou falar. Não cheguei a falar da doença com minha vó (ela não estava interessada), mas usei a frase "não importa o que aconteça, quero que você saiba..." e disse tudo o que queria dizer. Foi ótimo poder me despedir dela, para mim e para ela, porque ela aproveitou para falar muitas coisas também. Fiquei em paz quando ela morreu.

Um grande abraço, L
E

Déia disse...

Oi Lú,
Nossa essa é uma situação bem complicada, ou melhor complexa!
Minha cunhada faleceu com 36 anos também de câncer! E ela preferiu saber. Pra ela foi melhor, ela viajou,resolveu pendencias, meu sobrinho na época era de menor, então ela deixou várias coisas encaminhadas pra ele, e por mais difícil que possa parecer ela cuidou até do velório dela. Escolheu tudo e deixou tudo pago do jeito que ela queria. Sei que é triste, mas pra ela foi melhor assim! Acho que depende primeiro da lucidez da pessoa e segundo se existe histórico de depressão. Essas duas coisas na minha opinião vão influenciar em como a pessoa vai lidar com os fatos. Acho que contar isso para uma pessoa já doente (depressiva) ou fora da casinha, só traria sofrimento! Abraços

Anônimo disse...

E contaria, assim como já instrui todos perto de mim, que se algo acontecer comigo, quero saber sim.

Aconteceu o seguinte com a irmã de uma amiga minha. Esconderam a doença e ela, um dia, pegou o exame que a enfermeira deixou em cima da mesa.

Resultado, além de ter que lidar com a doença, teve que lidar com a revolta de saber que a familia estava escondendo coisas dela.
Foi terrível.

Para mim, não existe melhor remedio do que a verdade.
Cada um tem o direito de escolher o que quer.

Anônimo disse...

Cada ser humano é um ímpar, não existe uma receita de bolo para todos, uma única solução. Acho que os familiares devem analisar como seu ente querido receberá a notícia de uma doença grave, com pequenas chances de sobrevivência. Algumas pessoas nos surpreendem ao saber, reunindo forças, que não sabíamos que tinham, para lutar contra a doença, outras se entregam ao desespero e desistem de tudo. Eu particularmente não gostaria de saber, acompanhei o processo doloroso do desencarne do pai de uma amiga muito querida. O pai dessa amiga teve câncer de intestino, operou pelo SUS, mas por negligência do medico não fez tratamento pós-cirúrgico com químio ou radioterapia, três anos após a cirurgia o tumor reapareceu no fígado, em um local inoperável. Na época as filhas já haviam providenciado um plano de saúde e o mesmo foi tratado por um oncologista particular, este respeitou o desejo dos familiares de não contarem ao paciente a real gravidade da doença. O Sr. Sebastião, pai da minha amiga, lutou contra a doença com todas as forças, sempre com muita fé e esperança, sem saber que a filha sempre retornava ao consultório, no dia seguinte às suas consultas, para ouvir do médio a real situação a respeito da evolução do câncer. Infelizmente após 3 anos de tratamento, sempre muito doloroso, o oncologista que o atendia se descredenciou do plano e foi substituído uma nova médica, esta não respeitou a decisão dos familiares e contou ao Sr. Sebastião o quanto o câncer estava avançado, dizendo que não havia a menor possibilidade de cura, portanto, iria suspender os tratamentos de químio e radioterapia, pois aos seu olhos estes tratamentos só serviam para lhe provocar um sofrimento inútil e que a medicina já não poderia fazer mais nada por ele. Neste dia ela matou as esperanças do Sr Sebastião, ele se entregou completamente, se recusava a tomar os medicamentos, entrou em pânico e se fechou em seu próprio sofrimento. O homem esperançoso e cheio de fé deu lugar a um homem amargo, que desencarnou tomado pela tristeza e pelo desânimo. Meu tio desencarnou com câncer de estômago achando que era úlcera, lutou até o fim contra a doença, consolando a sua esposa, dizendo que tinha esperança de ficar curado. Acredito que ele tenha feito uma transição muito mais tranquila do que a do pai da minha amiga, por isso eu não gostaria de saber se estivesse no lugar deles. Não gostaria que destruíssem a minha esperança, não acho que me ajudaria saber que tenho meses ou dias de vidas, afinal de contas cada dia que vivo pode ser o ultimo. Não conheço ninguém que tenha partido devido ao câncer que tenha usado seus últimos dias para curtir a vida loucamente, ou resolver grandes questões que ficaram pendentes ao longo da vida. Todas as pessoas que conheci ou lutaram bravamente contra a doença, se apegando a todas as esperanças de cura, se agarrando aos últimos fios de vida, ou se entregaram à depressão e ao desespero. Adoro o seu blog, leio sempre, não sou de comentar, mas não poderia deixar de dar minha opinião neste assunto tão delicado.

Bjs

Silvia

Wagna disse...

Sou a favor da verdade. Se fosse comigo ficaria bastante triste, me sentiria enganada e traída. Acredito que sabendo o que vai acontecer, temos oportunidade de resgatar/fortificar e/ou apaziguar nossas relações com os outros.

Anônimo disse...

Eu gostaria de saber...

mcoral disse...

Oi Lu...reli e li mil vezes..e mil vezees balancei a cabeça..pra que nao contasse.....
meu pai foi tb diagnosticado aos 53 anos...com metastase e 50 dias....sem chances de cura....em 1977
nao contamos nenhuma vez pra ele......ficamos os exatos malditos 50 dias....mas nao contamos.....ele era homem culto e escolado...deve ter sabido........conversavamos muito....enqto ele ficou lucido......quando entrou em coma...uma unica vez acordou chamando pelo pai dele...e assim se foi. pro andar de cima.......
nao se pode dar este tipo de noticia..pra uma pessoa de idade.......acho que o ideal ela ir tranquilamente e suavemente.....mesmo pq nao sabemos o dia e nem a hora de irmos
acho que nao contar nao significa trair...e sim amar tanto para poupar...eu nao aguentaria saber q teria somente 50 dias de vida.......seria terrivel e tragico.
beijos amada.

Anônimo disse...

Contaria, porque se estivesse no lugar dela ia gostar de saber a verdade e poder fazer escolhas a partir da verdade sobre a minha vida...

Anônimo disse...

Oi, dra. Princesa!
Eu tenho 21 anos e penso com uma certa frequência na morte, acho que mais que o normal, principalmente na minha idade; tanto é que já fiz várias pesquisas sobre doação de corpos para universidades e só não providenciei os papéis ainda por falta de tempo, mas já falei pra minha mãe e amigos sobre o meu desejo. Acho que lido bem com a morte. Eu com certeza gostaria de saber se tivesse pouco tempo de vida devido a alguma doença. Acho que isso se deve, principalmente, ao fato de não ter feito a grande maioria das coisas que eu gostaria de fazer. Já no caso da sua avó, (pode até ser ignorância da minha parte) talvez por ela ser uma pessoa mais vivida, já com uma certa idade, a proximidade da morte já não seja uma coisa tão "pesada" como para uma pessoa jovem que, como se diz, ainda tem a vida toda pela frente. Então talvez, nas condições de sua avó, o melhor seria mesmo não contar a verdade, mas apenas amá-la ainda mais por quanto tempo pudessem.

Anônimo disse...

Oi Lu,e realmente uma situacao dificil, eu acho que pra resolver so estando na situacao, o Dr Drauzio conta um caso muito interessante sobre isso no livro Por Um Fio, o paciente incuravel era um estudante de medicina e o Dr Drauzio no inicio da carreira e por influencia de outros colegas demorou muito para contar a verdade ao paciente, o interessante e que enquanto ele nao sabia que iria morrer a qualidade de vida dele foi bem maior. Mas cada um reage de uma forma nao e mesmo? Meu pai quando soube que ia morrer escolheu aproveitou o que pode com a familia e fazendo oque gostava e quando achou que era a hora se internou para morrer. Acho que essa decisao depende muito do paciente e da situacao. Um beijo enorme
Syl

Anônimo disse...

Eu acho melhor não contar, mas gostaria de saber.

Anônimo disse...

Eu não contei a minha mãe,
qdo eu soube que ela só teria 6 meses de vida, nem cogitei em dar-lhe essa noticia e olha que eu sempre fui franca, até cruel com minha franqueza, mas eu nao quis ser a pessoa que lhe daria a sentença...eu sempre acreditei que ela poderia se salvar, então eu dava os remédios e dizia que eles iam ajuda-la, procurava receitas nutritivas pq isso ia ajuda-la, levava na acupuntura e nunca falei de morte...e proibi todos de falarem e sempre tem alguém que quer furar a regra, odio.

Uma vez, depois que eu já sabia da sentença dela, lendo uma revista sobre ultimos desejos da vida de uma entrevistada, eu perguntei se um dia ela, a minha mãe, estivesse naquela situação o que ela preferiria: saber ou não, e então ela disse: eu prefiro nao saber, e foi a unica vez que eu realmente obedeci. Ela viveu 6 meses a mais do prazo dado pelo médico.

Elis Serrano disse...

Ainda dá tempo de participar desse post?
Então... eu lembro de quando você fez o post da morte da sua avó, eu lembro que foi exatamente por esse post que eu comecei a visitar o seu blog.
Em julho de 2010 minha avó aos 85 anos foi operar da visícula, o que era uma operação já arriscada pela idade acabou nem se concretizando ao médico abrir e diagnosticar ser uma câncer. Ele falou "pela minha experiência trata-se de um câncer, ela terá de 2 a 6 meses de vida".
Reunimos a família e colocamos em discussão contar ou não contar, minha avó já sofria de pressão alta, super preocupada, não queríamos levar para ela mais uma preocupação, naquele momento só poderíamos colocar nas mãos de Deus e aguardar por um milagre.
Três meses depois minha queria avó veio a falecer. Ela ficou lucida até o último suspiro e ainda hoje acho que agimos certo, tentando poupa-la de mais preocupação e sofrimento.

Elis Serrano disse...

Ainda dá tempo de participar desse post?
Então... eu lembro de quando você fez o post da morte da sua avó, eu lembro que foi exatamente por esse post que eu comecei a visitar o seu blog.
Em julho de 2010 minha avó aos 85 anos foi operar da visícula, o que era uma operação já arriscada pela idade acabou nem se concretizando ao médico abrir e diagnosticar ser uma câncer. Ele falou "pela minha experiência trata-se de um câncer, ela terá de 2 a 6 meses de vida".
Reunimos a família e colocamos em discussão contar ou não contar, minha avó já sofria de pressão alta, super preocupada, não queríamos levar para ela mais uma preocupação, naquele momento só poderíamos colocar nas mãos de Deus e aguardar por um milagre.
Três meses depois minha queria avó veio a falecer. Ela ficou lucida até o último suspiro e ainda hoje acho que agimos certo, tentando poupa-la de mais preocupação e sofrimento.

Anônimo disse...

Olha, na idade dela, e pelomestado da sua vó, acho que ela nao faria nada de muito diferrente a não ser continuar doente, o que ela poderia fazer? Digamos que fosse uma pessoa jovem pensando em ainda ter um filho, aí sim , saber disso alteraria alfumas decisões! Se rivesse algum segredo a ser contado pela sua vó, ela teve muito tempo pra contar, se nunca contou é porque ela não queria contar, afinal , qq um pode morrer de qq coisa a qq hora, se achar que um segredo deve ser revelado, que o deixe escrito em um papel.
Olha, na minha opinião , seus pais e seu avô foram sabios!

Anônimo disse...

Todos sabemos que morreremos um dia, porém, não temos a data. Eu não gostaria de saber que estou no corredor da morte, prefiro ficar enganada e viver os ultimos dias. Saber antes é sofrer antes, e mesmo quem recebe essa notícia que tem poucos meses de vida, na verdade mesmo nem acredita, prefere se enganar. Eu sempre deixo claro pros médicos, quero morrer enganada. E hoje não faço mais nenhum exame invasivo, a menos que esteja com muita dor, aí pensarei a respeito.
Wilma - gmail com problema

Maná disse...

creio que ela já sabia. esse tipo de coisa simplesmente se sabe, eu acho. mesmo assim, eu gostaria que me confirmassem.

Jô Turquezza disse...

Apesar de eu querer saber tudo que se passa comigo e pedir aos meus que me contem, eu não ia querer saber que me sobram SÓ 2 ou 3 meses de vida.
O que adiantaria para mim? Só sofrimento. Então se você comigo não ia querer saber.
Mas ..... tudo pode acontecer.
E se ela sobreviver por mais 1 ou 2 anos? Iria ficar pensando nisso todo dia. Cada caso é um caso. Fique tranquila e dê amor para sua avó, só isso basta.

Tania_Nara disse...

Acho que esse tema 'e tão complexo.
E (mal comparando) como o aborto, você forma uma opinião teórica e no momento tudo pode mudar.
Cada caso 'e unico, por mais semelhante que possa parecer. O que para algumas pessoas pode ser triste mas a oportunidade pra fazer algumas coisas e usufruir o tempo restante ao máximo, pra outras seria somente um período de extrema depressão. Como saber?

Teorizando, no momento atual da minha vida, se algo assim acontecesse comigo eu gostaria de saber mas não sei dizer se pensaria da mesma forma daqui ha alguns anos.

As pessoas mais próximas provavelmente devem conhecer e tentar prever como a pessoa em questão preferia que fosse tratada, mas se essa duvida 'e tão forte demonstra que ou esse tema nunca foi levantado ou, de alguma forma, prevê-se que a pessoa prefere não saber.

Anônimo disse...

Bom dia,

Passamos isso com a minha avó, ela teve câncer de ovário, que é silencioso e quando descobrimos já não tinha o que ser feito.

Ela tinha pavor de câncer, ela não falava o nome da doença, a mãe dela morreu do mesmo tipo de câncer então, por unanimidade na minha família decidimos não contar, poupar ainda mais sofrimento a ela. Ainda mais que nada podia ser feito por ela, só um milagre mesmo.

é difícil tomar essa decisão, mas diante de um sofrimento tão grande, era nossa melhor opção.

Fizemos tudo por ela, ela viveu mais do que o médico achava...enfim...é uma doença maldita :(

Duda disse...

Eu nem contaria e nem gostaria de saber. Já vivo minha vida 1 dia de cada vez e isso em nada acrescentaria. Bjs

Rosi Mantini disse...

Lu, eu nao contaria acredito que esse sentimento de contar foi mais seu do que dela. Nao temos pendencias ou acertos qdo damos amor,atencao,carinho para alguem ainda mais qdo se sabe o prazo de vida aqui na terra.

Rosi Mantini disse...

Lu, eu nao contaria acredito que esse sentimento de contar foi mais seu do que dela. Nao temos pendencias ou acertos qdo damos amor,atencao,carinho para alguem ainda mais qdo se sabe o prazo de vida aqui na terra.

Sá... disse...

Nossa, Lu... Que pergunta difícil.
Acompanhei 2 amigos próximos cujos pais tiveram câncer, passaram por esta situação de não existir nada que a medicina pudesse fazer... Fiquei muito reflexiva sobre este assunto e tenho certeza que eu ficaria devastada, desolada, em total desespero, porque não tenho medo da morte, mas não tenho vontade nenhuma de morrer. E ainda assim, eu gostaria sim de saber, porque jamais eu iria querer partir para uma viagem incerta sem me despedir (e definitivamente) dos meus queridos, familiares, amigos, etc...
Uma dessas pessoas que mencionei teve um câncer no estômago que inicialmente tinha um prognóstico bom e surpreendentemente houve uma metástase muito rápida e avassaladora, atando as mãos dos médicos. A situação ficou muito delicada, o médico reuniu a família para a notícia e eles decidiram contar para o pai (8 filhos). O momento inicial é óbvio que foi de tristeza, de não aceitação, revolta... Mas ele era uma pessoa extremamente católica e crente em Deus, então ele teve tempo de se despedir de toda a família,dizer e ouvir palavras de carinho e agradecimento de todos os filhos e receber a extrema unção do padre, que pra ele era importantíssima. Da descoberta da metástase para a morte dele, foram apenas 2 dias, e dizer pra ele a real condição foi o que fez que com ele fizesse a passagem em PAZ. Acho que nada mais no mundo pode ser comparado a isso...
Ele teve oportunidade de ouvir de todos os seus filhos o quanto ele foi importante e aceitar que então sua missão tinha sido cumprida...
Por este motivo eu gostaria sim de saber, isso com certeza mudou tudo pra ele e se eu pudesse ter este tempo, também gostaria de "viajar" em paz...
Beijosss

Anônimo disse...

Olá, minha irmã era seguidora do seu blog, foi ela que me indicou inclusive. Ela faleceu em maio desse ano de meta triplo negativo. Em julho de 2011 a mama direita começou a inchar e ficar dolorida, em agosto já colocou o cateter e fez a primeira quimio. Em julho de 2012 descobriu a meta óssea, e em janeiro de 2013 fazendo todos os tratamentos imagináveis, sem pular nenhuma quimio ou radio, descobriu um tumor na mama esquerda. E acho que foi aí que ela desistiu. O tipo de câncer dela era o carcinoma infeccioso triplo negativo, com metástase óssea e em maio desse ano ela foi internada inconsciente com a meninge tomada e com vários pontos no cérebro. Durante o tratamento víamos suas dores físicas, emocionais e espirituais, víamos sua luta. Apesar de ver e saber da gravidade da situação ninguém ousava falar de morte ou expectativa de vida perto dela. Todo mundo queria que um milagre acontecesse e todos sempre esperávamos que o próximo protocolo de quimio alterasse o quadro. Sim, era impossível acreditar que minha irmã tinha meses de vida e sim, na minha cabeça ela era merecedora de um milagre. Diante disso, era impossível eu pensar na possibilidade de viver com ela como se fosse o último dia. Hoje isso me afeta muito. Estou fazendo terapia de luto, pois não me perdoo pelo fato de não ter aproveitado cada momento que ela viveu após o diagnóstico, por eu ter negado a morte. Não temos que sentenciar a morte de ninguém com achismos, temos que mostrar o quanto somos felizes ao lado de pessoas que estão passando por momentos como esses. Ninguém sabe da morte, quando ela vai acontecer, mas temos o dever de proporcionar o melhor para as pessoas que estão vivendo nessa situação. Minha irmã era meu tudo. Era minha mãe, minha irmã, minha melhor amiga, minha psicóloga. Por isso era tão difícil aceitar a morte. Meus pais e o marido dela também negavam a ideia de perder minha irmã. Ela teve todo o suporte durante o tratamento, lutou, quis aproveitar a vida com toda a dor física que um ser humano pode suportar, ensinou a filhinha dela de 5 anos a fazer ´tudo sozinha. Foi um ser humano incrível. É inacreditável como os bons morrem cedo.

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minhapele@ig.com.br, Rio de Janeiro, Brazil
Uma médica que ama dermatologia, medicina estética, e principalmente, ADORA o que faz. Um cirurgião plástico apaixonado pela profissão.

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