quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Síndrome dos Ovários Policísticos: sabotador de saúde e beleza!



O que é a síndrome dos ovários micropolicísticos?


O termo "síndrome dos ovários micropolicísticos" (também conhecida pela abreviatura, "SOMP") descreve um grupo de sintomas e de alterações nos níveis de hormônios de algumas mulheres. O nome origina-se do fato de que pacientes com esse transtorno freqüentemente (mas nem sempre) apresentam múltiplos pequenos cistos (nódulos) indolores nos seus ovários, o que pode ser visualizado por exames de ultrassom. Esses cistos são benignos. No entanto, as alterações hormonais provocadas pela síndrome podem causar sintomas importantes, com grande stress emocional para a mulher afetada.
A SOMP é uma alteração muito comum de mulheres em idade reprodutiva, podendo atingir de 4 a 10% dessa população (em média, 7%).


Quais são os sintomas da SOMP?
Os sintomas da síndrome incluem:
1) irregularidade menstrual (menstruações ausentes ou que atrasam com muita freqüência, geralmente desde a adolescência);
2) infertilidade (dificuldade para engravidar, devido à falta de ovulação - que constitui uma das queixas mais importantes dessas pacientes quando procuram o médico);
3) acne (cravos e espinhas na pele), especialmente ao redor do queixo, no tórax e no dorso;
4) excesso de pêlos no rosto (principalmente no queixo e no buço) e no restante do corpo (braços, pernas, virilha);
5) perda de cabelo, com áreas de rarefação na cabeça;
6) pele e cabelos muito oleosos.
Os últimos 4 sintomas são manifestações de excesso de hormônios masculinos, que é um dos problemas provocados pela síndrome. Algumas pacientes podem apresentar apenas um desses sintomas; outras podem apresentar um quadro mais exuberante. Nem todos esses sintomas precisam estar presentes, ao mesmo tempo, para fazer o diagnóstico de SOMP.
Cerca de 2/3 das pacientes com SOMP apresentam excesso de peso ou obesidade (principalmente quando o acúmulo de gordura acontece mais na região da barriga), mas a síndrome também pode afetar mulheres magras.
A SOMP é extremamente comum, mas muitas mulheres não sabem que são portadoras da síndrome, e podem sofrer durante anos com problemas como a dificuldade para engravidar ou o excesso de pêlos no rosto, antes de fazer o diagnóstico correto.



Qual é a causa da SOMP?
A causa exata da SOMP ainda não é bem conhecida. Suspeita-se que haja mais de uma causa. Em geral, a síndrome é causada por um desequilíbrio dos níveis de alguns hormônios importantes. O que se observa na maioria das mulheres de SOMP é um aumento dos níveis dos hormônios masculinos (andrógenos) no sangue, devido à produção aumentada desses hormônios pelos ovários. Por isso, a SOMP também é conhecida como "síndrome de excesso de andrógenos ovarianos". O principal andrógeno ovariano que aumenta na síndrome é a testosterona.



Então a SOMP é uma doença apenas dos ovários?
Não. A SOMP é uma doença complexa, relacionada ao funcionamento alterado de vários sistemas do organismo. Além do distúrbio dos ovários, as mulheres com SOMP comumente apresentam um defeito na ação da insulina, um importante hormônio que controla os níveis de açúcar (glicose) e gorduras (colesterol) no sangue. Portanto, mulheres com SOMP têm um risco aumentado de apresentar aumento da glicose (diabetes mellitus) e do colesterol (dislipidemias), o que em última análise pode aumentar seu risco de doenças cardiovasculares (infarto do miocárdio, derrame cerebral etc.).
Suspeita-se que esse defeito da ação da insulina (também conhecido como resistência à insulina) desempenhe um papel fundamental no desenvolvimento da SOMP.



Como é feito o diagnóstico de SOMP?
O diagnóstico de SOMP é feito através da história clínica e exame físico da paciente (menstruações irregulares, excesso de pêlos, acne etc.) e de alguns exames complementares.
Os exames que podem ajudar no diagnóstico são:
1) Ultrassom do útero e ovários, que pode mostrar a presença de múltiplos pequenos cistos (nodulações cheias de líquido) em ambos os ovários.
Apesar de serem comuns e de darem nome à síndrome, os cistos não estão presentes em todas as pacientes com SOMP, sendo encontrados em cerca de 80% dos casos. Da mesma forma, a simples presença de cistos não é suficiente para fazer o diagnóstico de SOMP, pois até 20% das mulheres normais, sem qualquer alteração dos níveis hormonais, podem apresentar imagens de cistos ao ultrassom. Por isso, é importante diferenciar: "ovários policísticos" (um mero achado de ultrassom) da "síndrome de ovários micropolicísticos" (um distúrbio complexo, com manifestações clínicas conhecidas e que pode apresentar ou não a imagem de ovários policísticos ao ultrassom).
2) Testosterona, que muitas vezes está aumentada;
3) Glicemia e colesterol.
Outros exames também podem ser solicitados, dependendo das características de cada paciente. É importante afastar a presença de outros problemas hormonais que podem apresentar sintomas semelhantes à SOMP, principalmente o hipotireoidismo e a hiperplasia adrenal congênita (uma doença das glândulas supra-renais que também cursa com níveis aumentados de hormônios masculinos).
Todas as mulheres com sintomas sugestivos de SOMP (veja o quadro acima) devem ser avaliadas por um especialista, para determinar a presença ou não da sindrome. O endocrinologista, um médico especializado em transtornos das glândulas e dos hormônios, pode fazer essa avaliação e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.



Qual é a importância da SOMP?
A SOMP é uma das causas mais comuns de infertilidade em países desenvolvidos. Também pode causar prejuízo à qualidade de vida das pacientes, que se sentem incomodadas pelo excesso de pêlos ou pela acne, por exemplo.
No entanto, os maiores riscos da SOMP estão associados às alterações decorrentes da resistência à insulina. Esse transtorno faz com que as pacientes com SOMP tenham um risco aumentado de desenvolver diabetes.
De fato, até 30% das das pacientes com SOMP podem apresentar níveis aumentados de glicose no sangue, que às vezes só é detectado através de um teste com ingestão de açúcar via oral (o chamado teste de tolerância à glicose, ou curva glicêmica).
Além disso, mulheres com SOMP freqüentemente apresentam níveis aumentados do chamado "mau colesterol" (LDL). Elas também podem ter níveis baixos do "bom colesterol" (HDL) e níveis aumentados de outras gorduras do sangue, como os triglicérides. Todas essas alterações podem aumentar o risco de ataque cardíaco (infarto) e derrame cerebral, a longo prazo, principalmente em pacientes obesas.
Outro problema é decorrente da irregularidade menstrual e da falta de ovulação, que fazem com que a camada de revestimento interno do útero (o endométrio) não seja descamado e substituído regularmente (a cada mês).
Se esse problema não for tratado, há um aumento do risco de desenvolvimento de câncer do útero.



Como é o tratamento da SOMP?
Embora a SOMP não seja curável, há vários tratamentos disponíveis atualmente que podem equilibrar os níveis hormonais de maneira satisfatória e resolver vários dos problemas associados à síndrome.
Pacientes obesas ou com excesso de peso sempre devem ser aconselhadas a perder peso, através de uma alimentação saudável (com menor ingesta de calorias) e aumento da atividade física. Muitas vezes, apenas essa perda de peso é suficiente para aliviar muitos dos sintomas da síndrome, mesmo com perdas modestas (de 5 a 8Kg, por exemplo).
Medicações também podem ser usadas para controlar os sintomas da SOMP. Os anticoncepcionais orais, principalmente aqueles que contêm medicamentos que combatem os hormônios masculinos (por exemplo: acetato de ciproterona e drospirenona), ajudam a tratar a irregularidade menstrual e minimizam a acne e o excesso de pêlos, quando utilizados por vários meses. Estão melhor indicados em pacientes com SOMP que não desejam engravidar.
Mais recentemente, muitos médicos estão preferindo tratar a SOMP com medicações que agem melhorando a resistência à insulina, visto que este parece ser um dos principais mecanismos envolvidos no desenvolvimento da síndrome. Entre essas medicações, a mais utilizada é a metformina, um medicamento originalmente criado para o tratamento de diabetes, mas que provou ser efetivo em reduzir os níveis de insulina, melhorar a irregularidade menstrual, diminuir os pêlos e a acne (embora de maneira não tão evidente quanto com os anticoncepcionais), provocar perda de peso e aumentar a fertilidade de mulheres com SOMP. A metformina ajuda mulheres com SOMP a engravidar, visto que é capaz de aumentar a taxa de ovulação dessas pacientes e parece ter um papel em prevenir abortos precoces. Já foi utilizada inclusive durante a gravidez, aparentemente sem grandes riscos para a mãe ou o feto, mas o seu uso nesta situação ainda não é um consenso entre os especialistas. Mais interessante ainda é o fato de que o uso de metformina, por melhorar a ação da insulina, melhora os níveis de glicose e colesterol, e pode ajudar a prevenir as complicações mais sérias da SOMP, que são o diabetes e as doenças cardiovasculares.
Por essa razão, a metformina está sendo cada vez mais utilizada para o tratamento da SOMP, tanto em pacientes obesas como nas magras. Outras medicações que agem melhorando a resistência à insulina mas que ainda não são tão estudadas são a pioglitazona e a rosiglitazona.
Há também tratamentos específicos para induzir a ovulação e obter a gravidez, como o uso de citrato de clomifeno e de gonadotrofinas, que devem ser utilizados sob a supervisão de um ginecologista experiente em reprodução humana.
Também há medicações para reduzir os efeitos dos hormônios masculinos, como a espironolactona e a flutamida. Essas medicações sempre devem ser tomadas junto com anticoncepcionais, visto que podem ser prejudiciais ao feto se a paciente engravidar fazendo uso das mesmas.
Por último, tratamentos para reduzir o excesso de pêlos, como a depilação (usando lâmina, cêra, eletrólise ou laser) ou o uso de cremes que reduzem o crescimento dos pêlos (como a eflornitina) podem ser usados para melhorar o aspecto estético e a auto-estima das pacientes.



Fonte: www.portalendocrino.com.br

17 comentários:

Izabela disse...

Adorei saber mais sobre o assunto.
Bjos!

Flavia Santos disse...

Oi, achei estranho vc dizer que a SOMP não tem cura. Eu tive ovários micropolicísticos, tratei com anticoncepcionais e não tenho mais. Isso não é cura?

Luciana C disse...

Izabela: fico feliz em poder ajudar!!

Flavia: concordo contigo, também já vi pessoas se curarem da SOP. Mas não fui eu quem escreveu este artigo e sim o Portal de Endocrino (eu citei a fonte).Acho que eles dizem que não existe cura porque realmente algumas pessoas que se trataram por anos não tiveram a mesma sorte que você! Aliás, que bom que você se livrou disso!! para evitar que volte, é fundamental manter o seu peso.
Estou à disposição caso haja outras dúvida, ok???
Beijos1

Renata Velloso disse...

OI Lu,

Estou para escrever um comment faz tempo. Obrigada por ter linkado o Bulle de Beauté aqui no su blog! Não conhecia o seu, já adorei e vou linkar tb!

Beijos

Anônimo disse...

pois, revi-me neste post uma vez q tb tive o mesmo problema.. também tive vários microquistos (o nome cá em Portugal), e com a pílula tudo passou (até porque já não tenho nem acne nem a menstruação é tão dolorosa como era antes do tratamento). pelo q sei, neste momento está tudo bem...
parabéns pelo blog... conheço-o apenas há uma semana e já sou fã :)))
beijinhos
márcia (portugal)

Flavia Santos disse...

Me desculpe, agora que vc falou que eu percebi a fonte do artigo. Achei superinteressante o post e não sabia que a SOMP possuía tantas implicações na saúde. Brigadão pelas informações. Bjos.

Anônimo disse...

É preciso diferenciar a Síndrome dos Ovários Policísticos de uma condição bastante frequente que é a presença de microcistos ovarianos, esta sim, passível de remissão. A SOMP é "doença"; o ovário com microcistos é " achado".

Luciana C disse...

Obrigada pela explicação, anônimo!!!!
E por favor, se quiser acrescentar ou nos alertar sobre algo que eu não tenha dito aqui, ou algo que já tenha mudado, por favor, fique à vontade!!!

Trícia disse...

Olá Luciana! Tenho adorado seus textos e dicas (a da esfoliação com escova de dentes elétricas eu testei e adorei o resultado!), sou viciada em produtos para pele e cabelo e, como você, também sou uma devoradora de livros! Posso dar uma sugestão? Você poderia falar sobre os benefícios para a pele do consumo de Kefir? A minha dermatologista é ótima (sou mineira e moro em Brasília há 11 anos), mas se eu morasse no Rio...
Abraço carinhoso!
Fique bem!
Trícia

Ana Cereza disse...

Eu tenho ovário policístico e faço tratamento há uns seis anos... Bom saber que pode ter cura, ainda não me resta esperança! Porque seis anos tomando anticoncepcional sem parar pro organismo "respirar" é dose... eu sou peludinha, tenho muita espinha [que piora quando estou perto de menstruar], minha pele é super oleosa... junte todos os sintomas e você me vê! [chega de drama! Hehehe]
Mas muito bom o artigo, me fez entender algumas coisas!
Parabéns!

Rafa disse...

Para esclarecer a dúvida da Flávia Santos pode-se dizer que a SOMP não tem cura definitiva, o que tem cura são problemas hormonais transitórios que às vezes causam sintomas extremamente semelhantes à SOMP, mas desenvolvidos por mecanismos diferentes e que obtém cura após o tratamento correto. Por isso é importante o diagnóstico diferencial da SOMP, já que esta síndrome pode compreender implicações muito além dos sintomas usuais (como aumento do risco para diabetes tipo II e problemas cardiovasculares).
Além disso, há casos onde as portadoras da SOMP (após tratamento) conseguem uma remissão dos sintomas durante algum tempo (até mesmo anos), equilibrando a produção hormonal e adquirindo ciclos regulares ovulatórios, mas da mesma forma que os problemas vão podem voltar... Por isso diz-se que não há cura, a síndrome está ali presente, o que se consegue é controlar seus sintomas, mesmo que muitas vezes possa parecer um teste de paciência.

Mara disse...

Olá Luciana!!!!!!!!

Sou muito curiosa qdo se diz respeito a saúde ou ao corpo humano, adorei saber mais sobre ovários micropolicísticos. Lendo mais sobre o assunto e analisando o q acontece comigo acho que sofro de SOMP ja q foi detectado às uns 7ou 8 anos q tenho ovário micropolicístico.

Lendo os comentários anteriores vi q vc postou um texto sobre esfoliação, gostaria de saber como faço pra ter acesso a esse texto.
Desde já obriagada.

Karol disse...

Doutora, eu tenho a síndrome e trato com YAS...Tenho 24 anos, o que faço com minha pele oleosa e ainda com linhas de expressão!!! Sou professora e trabalho muito com as expressões do rosto!

Obrigada!
Anna Karolina
anna_borges@ig.com.br

Joseane disse...

Doutora, eu tomo anticoncepcional desde 1998, 15 anos.
E quando eu tomava era bom, as espinhas sumiam, cabelo está Ok mas, me deu melasma e eu parei pra amenizar e ajudar o tratamento de melasma.
E em menos de 2 meses tudo voltou espinhas internas doloridas e muita mas, muita queda de cabelo raleando demais.
Não sei o que fazer, todos os anos eu fazia exame e não tinha mais ovário policistico e dai achei que podia parar mas, parece que não é bem assim.
Eu não sei o que fazer da minha vida mais cuido de um e o outro piora. Minha queda está demais, estou desesperada

Anônimo disse...

Oi, tomar o Androcur continuamente pode gerar problemas?

Luciana Azevedo disse...

Olá Luciana, boa tarde!
Estou fazendo uso da Metiformina vai fazer 2 semanas, tive ovário policístico, em minha última trans estava tudo limpo, nenhum cisto, porém minhas acnes não pararam e passei a fazer uso continuo de anticoncepcional (ininterrupto), foi a única forma que deu jeito. Até que irmão fez uma pesquisa a respeito da Metiformina e me indicou a tomar para tratar a acne.
Minha dúvida é que com o uso da medicação minhas espinhas brotaram ainda mais, meu colo está tomado de espinhas, meu rosto sempre aparecem no mesmo ligar: fronte e queijo, e por fim no meu pescoço abaixo e atras da orelho. Ai Senhor. hahahahha
Vale ressaltar que estou usando a Metiformina junto com o anticoncepcional, será que isso é que está fazendo minhas acnes piorarem?
P.S: Senti uma sanguificativa redução na minha oleosidade.
Desde já agradeço!

Anônimo disse...

Olá! Não é cura pois se parar o anticoncepcional os microcistos irao voltar. O que o anticoncepcional faz é controle!

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Uma médica que ama dermatologia, medicina estética, e principalmente, ADORA o que faz. Um cirurgião plástico apaixonado pela profissão.

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