Enfim, pude respirar aliviada.
Vocês não sabem, mas minha semana foi infernal, uma das piores da minha vida.
Para não cansa-los com os piores detalhes, vou tentar resumir o problema, até porque o foco do post não é a situação e sim a ajuda que tive no meio do turbilhão.
Levei o Gabriel ao pediatra para uma consulta de rotina e ele suspeitou de que o gordinho estivesse com características de uma criança autista. Socorro!
Fiquei sem chão, sem paredes e sem teto. Passei a semana inteira sem dormir literalmente à noite (virei um zumbi). Minha cabeça não parava de pensar.
Durante essa semana, além do meu trabalho, fui a terapeutas ocupacionais, fonoaudiologas, e até a uma neurologista pediatrica, que graças ao bom Deus, tinha bom senso e afastou o diagnóstico. Determinou que ele só tem um atraso de linguagem, natural para uma criança que estuda em uma escola bilingue. Também pediu que estimulássemos mais ele socialmente, pois Gabriel, assim como a mãe, não gosta de ficar parado. E a criança em movimento não tem a oportunidade de interagir com as outras.
Dito isso, estamos mudando algumas coisas na vidinha dele, e uma fono vai ajudar com a parte da linguagem. E todos viveram felizes para sempre.
Mas no meio dessa história toda, aconteceu uma coisa muito interessante. Na quarta-feira, dia mais estressante da semana, fui comer um brigadeiro numa lojinha perto do consultório. Porque quando eu fico tensa, preciso de doces. Nesse dia eu estava prestes a desmoronar. Era o dia em que o pediatra havia marcado uma reunião comigo, para contar a que conclusão havia chegado, depois de conversar com a terapeuta ocupacional sobre o Gabriel. Portanto era o dia em que eu ia "receber o tão temido diagnóstico".
Entrei nessa loja a caminho do consultório, e estava tão derrotada, mas tão derrotada, que se passa o produtor de "Os Miseráveis" perto de mim, ele ia me convidar para fazer o papel principal do filme, daquela mulher que morre.
Comi o brigadeiro, e na hora de pedir a conta, a vendedora, uma mulher super simples, mas com o coração de ouro, me diz:
- Engraçado, te vejo sempre por aqui, mas hoje você não está bem.
Nessa hora, eu não aguentei e comecei a chorar. Chorar de soluçar. No meio da loja, que, inclusive, tinha outros fregueses (que eu acabei espantando).
Detesto chorar em público, já aconteceu outras vezes (lembram de Paris?). A pessoa perde a dignidade, não é? No meu caso, além de fungar e soluçar, ainda saiu sangue do meu nariz. Foi um Deus nos acuda (ou melhor, ME ACUDA).
Eu disse pra ela:
- Estou indo para o pediatra escutar que o meu neném é autista.
Fez-se o silêncio na loja.
- Me sinto como se estivesse na beira de uma praia, segurando a respiração, esperando a onda vir, me engolir e me quebrar.
A moça saiu do balcão, segurou minha mão, me abraçou e me disse:
- Se você fosse bananeira, a onda poderia até te quebrar. Mas você é rocha, a onda vai passar por você e vai voltar pro mar, e você vai seguir em frente.
E foi o que aconteceu.